A nuvem resolveu o problema da capacidade, mas criou um novo desafio para as empresas: governar o consumo de dados e infraestrutura.
Nos últimos anos, a migração para a nuvem deixou de ser tendência para se tornar praticamente um consenso.
Escalabilidade, velocidade de inovação e flexibilidade operacional fizeram da cloud a base tecnológica da transformação digital. No entanto, à medida que as empresas avançam nessa jornada, um fenômeno curioso começa a aparecer.
Aqui na iblue chamamos isso de o paradoxo da cloud.
Ao mesmo tempo em que a nuvem promete eficiência e redução de custos, muitas organizações ainda gastam mais do que deveriam, seja mantendo infraestrutura on-premise ineficiente, seja consumindo recursos em cloud sem governança adequada.
Os dados mostram que o desafio deixou de ser migrar para a nuvem, para a questão de gerir o consumo de forma inteligente.
Quase um terço do investimento em cloud pode ser desperdício
Um dos dados mais impressionantes vem do relatório 2026 State of the Cloud, publicado pela Flexera.
Segundo o estudo, 29% dos gastos com cloud são considerados desperdício, resultado de recursos subutilizados ou mal dimensionados.
Esse desperdício pode ocorrer por diversos motivos:
- máquinas virtuais esquecidas em ambientes de teste
- clusters superdimensionados
- ambientes que continuam rodando mesmo sem uso
- armazenamento de dados redundantes ou antigos.
Quando consideramos o volume global de investimento em cloud, o impacto é enorme. Estimativas indicam que mais de US$ 100 bilhões por ano podem ser gastos de forma desnecessária em infraestrutura cloud.
Ou seja, a nuvem trouxe elasticidade, mas também criou um novo desafio: visibilidade sobre o consumo.
O custo da cloud está crescendo e ficando mais complexo
Outro dado relevante do mesmo relatório mostra que controlar os gastos com cloud continua sendo um dos principais desafios das empresas.
Isso acontece porque o modelo de consumo da nuvem é completamente diferente da infraestrutura tradicional.
No modelo on-premise, as empresas compram capacidade antecipadamente: servidores, storage e licenças. O custo é previsível, mas muitas vezes a infraestrutura fica ociosa.
Na cloud, acontece o oposto.
A capacidade é praticamente infinita — e os recursos podem ser provisionados em minutos. Isso acelera a inovação, mas também aumenta o risco de consumo descontrolado, especialmente em ambientes com múltiplos times e workloads.
Com a crescente adoção de IA e analytics avançado, essa complexidade tende a aumentar ainda mais.
O verdadeiro desafio: governar o consumo de dados
O resultado é que muitas organizações acabam vivendo um paradoxo:
- infraestrutura on-premise cara e pouco flexível
- ambientes cloud escaláveis, mas difíceis de governar.
É nesse contexto que surge uma disciplina cada vez mais relevante: FinOps (Financial Operations).
FinOps reúne práticas, processos e tecnologias que ajudam empresas a:
- entender como os recursos de cloud estão sendo consumidos
- otimizar custos de infraestrutura e dados
- alinhar decisões tecnológicas com valor de negócio.
Mais do que cortar custos, o objetivo é extrair o máximo valor da cloud.
Da infraestrutura ao valor
À medida que a cloud amadurece, o debate também evolui.
O foco deixa de ser apenas “migrar para a nuvem” e passa a ser “como gerar valor com os dados e com a infraestrutura digital”.
Isso exige uma nova combinação de competências, incluindo plataformas de dados desenhadas para o modelo de consumo da nuvem, nas quais armazenamento e processamento podem escalar de forma independente e o cliente paga apenas pelo que utiliza.
Esse tipo de arquitetura (adotada por plataformas como a Snowflake) ajuda as organizações a ganhar mais elasticidade, visibilidade de consumo e controle de custos em ambientes de dados e analytics.
Empresas que conseguem equilibrar esses elementos não apenas reduzem desperdícios, mas também aceleram inovação e criam vantagem competitiva.
Um debate que precisa acontecer
Se a nuvem tornou a tecnologia mais acessível e escalável, também trouxe uma nova responsabilidade: gerir o consumo com inteligência.
A pergunta que muitas organizações começam a fazer agora é simples: quanto realmente custa rodar nossos dados?
E, mais importante: como garantir que cada recurso consumido esteja gerando valor para o negócio?
Fontes
- Flexera — 2026 State of the Cloud Report
https://info.flexera.com/CM-REPORT-State-of-the-Cloud - SpendArk — State of Cloud Waste 2026
https://www.spendark.com/blog/state-of-cloud-waste-2026 - Flexera insights on cloud waste increase
https://www.prosperops.com/blog/flexeras-2026-state-of-the-cloud-report-takeaways/

